Os efeitos dos antidepressivos no organismo

Anna Esther Costa Souza, Luiza Satie Cardoso Itano, Regina Martha dos Santos Rodrigues, Rute Paulino Pereira, Frederico Kauffmann Barbosa

Resumo


A descoberta no final da década de 50 de drogas antidepressivas e sua utilização na prática clínica trouxe um avanço importante no tratamento e no entendimento de possíveis mecanismos subjacentes aos transtornos depressivos. Os antidepressivos tricíclicos (ADTs) e os inibidores de monoaminooxidase (IMAOs), embora muito eficazes, apresentavam efeitos colaterais indesejáveis causados pela inespecificidade de sua ação farmacológica e eram potencialmente letais em casos de superdosagem. Novas classes de antidepressivos surgiram a partir da pesquisa de moléculas desprovidas dos efeitos colaterais dos heterocíclicos. Eles diferem dos clássicos ADTs e IMAOs, irreversíveis pela seletividade farmacológica, modificando e aumentando os efeitos colaterais.

        Os antidepressivos não influenciam de forma considerável o organismo normal em seu estado basal, apenas corrigem condições anômalas. Em indivíduos normais não provocam efeitos estimulantes ou euforizantes como as anfetaminas. Porém ainda é muito arriscado afirmar que pessoas com o sistema nervoso “normal” não seja prejudicado com o uso indiscriminado deste medicamento. Podem surtir efeitos indesejáveis com qualquer tipo de droga, sempre há um risco que deve ser considerado tanto pelo médico quanto pelo paciente.

        Apesar de muitos avanços na pesquisa, ainda não se sabe ao certo o real efeito dos antidepressivos e seu mecanismo de ação, antidepressivos com estruturas químicas diferentes possuem em comum a capacidade de aumentar agudamente a disponibilidade sináptica de um ou mais neurotransmissores, através da ação em diversos receptores e enzimas específicos. Apesar de essencial, este efeito não explica a demora para se obter resposta clínica (de 2 a 4 semanas em média), sugerindo que a resolução dos sintomas da depressão requeira mudanças adaptativas na neurotransmissão. A principal teoria aceita para explicar tal demora é a da subsensibilização dos receptores pós-sinápticos. O aumento dos níveis de neurotransmissores por inibição da MAO ou bloqueio das bombas de recaptura de monoaminas resulta nesta subsensibilização, cuja resolução se correlaciona com o início da melhora clínica. Após o início do tratamento, depois que realmente foi diagnosticada a depressão, o paciente não deve abandoná-lo, pois além do medicamento começar a fazer o efeito necessário somente após duas semanas, o abandono pode causar crises muito piores que as anteriores. Porém, nem todos os medicados conseguem ir até o fim com o tratamento, uma das maiores causas da desistência é o ganho de peso, causado pelos remédios. Há estudos que mostram que logo na primeira dose o remédio pode causar dependência, ele promove alterações tanto estruturais quanto funcionais nas células nervosas, sendo uma única dose o suficiente para gerar um estágio inicial de vício.

        O consumo de medicamento se usado por quem não precisa é arriscado, porém esse não é o único problema, além de tomar medicamento errado, ainda administra de forma errada o que acaba levando a uma superdosagem desta substância A análise dos dados de superdosagem indica que o maior risco dos antidepressivos é o óbito por dose excessiva, sendo que o número destes eventos ultrapassa, de longe, o dos óbitos por efeitos adversos. Sugere-se que quaisquer avaliações dos benefícios e dos riscos globais de drogas antidepressivas devem incluir não apenas os riscos com doses terapêuticas, mas também os perigos decorrentes da superdosagem.

        Um outro problema também é a abstinência desse medicamento quando seu uso é interrompido abruptamente. Atualmente está sendo usado um novo tipo de medicamento que é mais seguro que os antidepressivos convencionais que eram utilizados anteriormente: os chamados inibidores da recaptação da serotonina têm sido o grupo de drogas mais empregadas no tratamento de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade, bulimia, estresse pós-traumático. Porém um dos problemas mais frequentes associados ao uso desses inibidores é o aparecimento de síndrome de abstinência, quando sua administração é interrompida abruptamente. Síndrome de abstinência é definida como “um conjunto de sinais e sintomas de instalação e duração previsíveis, que envolve sintomas psicológicos e orgânicos previamente ausentes à suspensão da droga e que desaparecem depois que ela foi reiniciada”. Quanto mais rapidamente a pessoa parar de tomar o medicamento após o início do tratamento, é mais provável que ela sofra com essa síndrome, para que o paciente não sofra com isso, a dose de medicamento deve ser diminuída gradativamente.


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