Terapia gênica na DMD

Carla Santos Oliveira, Mariana Muniz Dos Santos Guella, Frederico Kauffmann Barbosa

Resumo


A possibilidade de transferir informação genética de um organismo para outro, que constitui o fundamento da terapia gênica, é conhecida, em bactérias, desde 1944, a partir da clássica experiência de Avery, McLeod e McCarty. Nas décadas de 60 e 70, a idéia de transferir genes para curar doenças em humanos tornou-se mais próxima da realidade: desenvolveram-se linhas de células geneticamente marcadas; compreendeu-se o mecanismo de transformação celular em mamíferos pelos vírus polioma e SV40 e, posteriormente, criaram-se as técnicas de DNA recombinante permitindo, assim, a primeira tentativa de transferência gênica em organismos complexos. No final da década de 80, o National Institutes of Health (NIH) aprovou o primeiro protocolo para teste de terapia gênica em humano, o qual consistia na transferência de genes do sistema imune para um paciente em estado avançado de neoplasía maligna. O objetivo, na época, não era avaliar eficácia terapêutica, mas sim demonstrar que um gene pode ser transferido, com segurança, para dentro do paciente e em seguida identificado em células retiradas do mesmo. Em 1990, foram realizados nos Estados Unidos, com objetivos clínicos científicos, os primeiros casos de terapia gênica em humanos: duas crianças com deficiência da enzima adenosina deaminase (ADA) foram tratadas por terapia gênica somática, visando avaliar a eficácia terapêutica de linfócitos autólogos nos quais se inseriu o gene normal da ADA, e determinar a sobrevida desses linfócitos in uivo e o tempo de expressão do gene nele inserido. Para Weatherall, os procedimentos técnicos necessários à terapia gênica em humanos são fáceis de enumerar (cinco passas), porém difíceis de alcançar: o primeiro passo consiste em isolar o gene e suas sequências reguladoras; o segundo - visando à obtenção de um número necessário de células para reintrodução no paciente, na necessidade de se obter em cultura uma quantidade suficiente de células retiradas do paciente, nas quais será inserido o gene terapêutico. O terceiro passo é dispor de um mecanismo eficiente (vetores) para inserir o gene nas células; o quarto, que o gene inserido incorpore-se ao genoma celular e funcione, isto é, que haja produto gênico em quantidade suficiente e por longo tempo; e o quinto, que todos estes procedimentos novos apresentem efeitos colaterais indesejáveis. Dois tipos de técnicas, denominadas de ex vivo e in vivo, são utilizadas para levar genes para o interior das células somáticos do corpo humano. Na técnica ex vivo, retiram-se células do paciente, faz-se cultura das mesmas, usam-se vetores para nelas inserir o gene previamente isolado e por infusão, essas células tratadas são levadas de volta ao paciente. As células da medula são as mais usadas em terapia ex vivo, embora existam testes em outros tipos de células. Na técnica in vivo, o gene é levado diretamente ao organismo do paciente, também usando vetores, porém dispensando a retirada de células e sua subsequente reintrodução no paciente. O isolamento do gene e o seu teste em culturas de células não constituem grandes problemas de ordem técnica e/ou bioética para fins de tratamento de doenças. A tecnologia de DNA recombinante, desenvolvida em organismos simples, vem sendo, com sucesso, transposta para organismos complexos, inclusive o humano. O desenvolvimento de vetores, todavia, continua sendo um dos grandes problemas em terapia gênica, tanto do ponto de vista técnico como ético. O gene isolado e replicado precisa de um vetor que o transporte para dentro de células específicas do paciente, que o incorpore ao DNA destas células e o ative para desempenho exclusivo e adequado da função.

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