ENFERMEIRO VITO – BRINQUEDO TERAPÊUTICO PARA A CRIANÇA ONCOLÓGICA

Fernanda Matilde Gaspar Santos, Anna Paula Nogueira Costa

Resumo


 

Introdução: A experiência de adoecimento, hospitalização, e a realização do tratamento quimioterápico desencadeiam na criança uma enorme gama de sentimentos negativos que capazes de gerar grande sofrimento tais como ansiedade, medo, angústia, privação e impotência, junto a isso podemos citar a capacidade imaginativa da criança que, não entendendo de forma concreta a realidade à sua volta passa a fantasiar a realização dos procedimentos na maioria dos casos de forma pior do que estes realmente são.

A apreensão, angústia e ansiedade geradas na criança pelo adoecimento e hospitalização somadas à realização da quimioterapia, procedimento que traz diversos efeitos colaterais de complexidade significativa, é capaz de produzir ainda mais sofrimento. A utilização do brinquedo terapêutico instrucional como instrumento de orientação para a criança encaminhada ao tratamento quimioterápico é de grande valor para a amenização do sofrimento, maior interação entre equipe e paciente e para a prestação de uma assistência de maior qualidade.

Frente ao exposto surgiu a necessidade de criar um brinquedo terapêutico com capacidade de instruir a criança para o procedimento de forma a amenizar a experiência negativa que está vivenciando, e à entender e aceitar  a realização do tratamento quimioterápico, facilitando assim a prestação da assistência pela equipe e a interação entre equipe e paciente.

Visa-se com a utilização deste brinquedo em ambiente hospitalar oncológico pediátrico diminuir a apreensão da criança em relação à quimioterapia, e orientá-la da melhor forma possível, visto que este é um procedimento que gera grande receio e ansiedade na criança. Além disso, busca-se aprimorar a qualidade da assistência prestada ao paciente oncológico pediátrico e facilitar o trabalho da equipe de enfermagem junto à criança hospitalizada para esta finalidade terapêutica.

 

Fundamentação teórica: A experiência do adoecimento para a criança é um evento gerador de alta carga de estresse, medo, insegurança, angústia, sentimento de privação, ansiedade e sofrimento, além disso, altera completamente seu cotidiano, tal experiência é capaz de desencadear sequelas psicológicas, emocionais e físicas (CARDOSO, 2007).

A utilização de atividades lúdicas em ambiente hospitalar oncológico pediátrico proporciona diversas respostas benéficas imprescindíveis à execução do tratamento permitindo que a criança mude o comportamento e passe a desempenhar papel ativo, tais benefícios são: uma maior aceitação e colaboração em relação aos procedimentos e exames a serem realizados, melhor interação com a equipe, maior acesso por parte da equipe, amenização da carga de estresse gerada não só na criança hospitalizada como também nos familiares, essas mudanças possibilitam uma assistência com maior qualidade (AZEVEDO et al., 2008).

O Brinquedo terapêutico constitui uma estratégia elaborada que permite à criança aliviar os sentimentos negativos ocasionados pela experiência de adoecimento e hospitalização consideradas incomuns, que apresentam à estas situação ameaçadora e geram grande estresse sendo necessário mais do que recreação para amenizar a angústia, apreensão e sofrimento associados. Esta estratégia deve ser utilizada pelo enfermeiro sempre que a criança apresentar dificuldade para entender ou lidar com uma experiência atípica e complexa e necessitar ser devidamente esclarecida e preparada para a realização de procedimentos invasivos ou dolorosos (ALMEIDA; SABATÉS, 2008).

 

Objetivos:

Gerais: Criar um brinquedo terapêutico instrucional com dispositivo de voz acoplado para crianças oncológicas.

Específicos: Instruir a criança de forma lúdica e simples para a sessão de quimioterapia; Amenizar o sofrimento, a angústia e o estresse desencadeados pela apreensão e falta de conhecimento da criança em relação à quimioterapia; Preparar a criança oncológica para iniciar o tratamento quimioterápico.

 

Metodologia: Pesquisa de caráter exploratório, realizada através de levantamento bibliográfico. Foram utilizados para o levantamento bibliográfico vinte artigos científicos publicados entre os anos de 2008 à 2014 com temática relativa à utilização do brinquedo terapêutico em crianças oncológicas hospitalizadas e hospitalização da criança. Os artigos foram em sua maioria extraídos da base de dados Scielo e Bireme. Do total de vinte artigos pesquisados foram utilizados para a realização deste estudo apenas dez artigos. As palavras chave utilizadas para a pesquisa foram: Brinquedo terapêutico; enfermagem; oncologia; hospitalização infantil.

Para a confecção do brinquedo terapêutico foram utilizados: um animal de pelúcia medindo aproximadamente 40 centímetros, 70 centímetros de feltro na cor branca, uma bobina de linha branca 100% poliéster, 6 botões de tamanho médio, duas folhas de E.V.A nas cores branca e vermelha, elástico látex na cor branca, um kit médico infantil menino, um dispositivo de armazenamento de voz. Todos os itens de caracterização do boneco, tais como chapéu, jaleco e estetoscópio foram cautelosamente estudados para que se aproximasse mais fielmente possível dos itens utilizados pelos profissionais da enfermagem. O brinquedo atende as normas técnicas exigidas para confecção de brinquedos. A confecção do brinquedo terapêutico foi realizada no período de quatro dias consecutivos. Em relação à escolha do nome do brinquedo buscou-se escolher um nome que apresentasse significância em relação ao contexto, que possuísse relação à vida, vitória, força e esperança, após pesquisa por nomes foi encontrado o nome Vito, cujo significado se mostrou bastante apropriado à situação para a qual o brinquedo foi criado, significando: a vitória da vida, a vida que vence.

 

Principais resultados alcançados

O uso da técnica do Brinquedo Terapêutico instrucional é um recurso de grande valia para utilização nos serviços de oncologia pediátrica, sejam eles ambulatoriais, ou unidades de internação, é imprescindível que o enfermeiro se conscientize quanto à importância da aplicação do brinquedo para este tipo de paciente e realmente realize a técnica para poder atuar com seus pacientes de forma menos traumática e mais humanizada.

A utilização do BT instrucional em ambiente hospitalar oncológico pediátrico consegue atuar como agente de mudança comportamental amenizando o sofrimento e o medo desencadeados pelo processo de doença e hospitalização, e proporciona de maneira sutil o aprendizado e entendimento da criança no que diz respeito à doença, seu corpo e necessidade da realização dos procedimentos, isso permite um maior entrosamento entre equipe, paciente e família, facilitando a atuação da equipe e consequentemente aprimorando a assistência prestada.

A brincadeira beneficia sobremaneira a criança oncológica, permitindo sua maior receptividade aos serviços de saúde, aos procedimentos aos quais é submetida, inclusive à quimioterapia, além disso, consegue amenizar a carga de estresse gerada pela doença e hospitalização, e facilitar o acesso do profissional de saúde à criança.

A utilização do Enfermeiro Vito em ambiente hospitalar oncológico pediátrico permitirá a diminuição da apreensão da criança em relação à quimioterapia, e a orientação da criança hospitalizada para este procedimento da melhor forma possível, fazendo com que ela entenda a experiência pela qual está passando e a importância de realizar a quimioterapia. Além disso, a utilização deste BT facilita o trabalho da equipe de enfermagem junto à criança hospitalizada para a quimioterapia proporcionando o estabelecimento de um vinculo de confiança entre equipe e criança.

 

 

 


Texto completo:

PDF

Referências


Referências

AZEVEDO DM et al. O brincar enquanto instrumento terapêutico: opinião dos acompanhantes. Revista Eletrônica de Enfermagem 2008; 137-144. Disponível em: .

CAGNIN ERG, FERREIRA NML, DUPAS G. Vivenciando o câncer: sentimentos e emoções da criança. Acta Paulista Enfermagem. São Paulo, v.16, n. 4, p 18-29, out/dez, 2003. Disponível em: .

OLIVEIRA, Gilmara Beserra de et al. A importânciade atividades lúdicas com crianças oncológicas: relato de caso. Unincor, Três Corações, v. 12, n. 1, p.397-406, jul. 2014. Disponível em: . Acesso em: 02 set. 2014.

MORAIS, R. C. M.; ASSIS, A. C. A utilização do brinquedo terapêutico à criança portadora de neoplasia: a percepção dos familiares. Rev Pesq Cuid Fundam [periódico na Internet], v. 2, p. 102-6, 2010.

SOUZA, Alexandra; FAVERO, Luciane. Uso do brinquedo terapêutico no cuidado de enfermagem à criança com leucemia hospitalizada. Cogitare Enfermagem, v. 17, n. 4, 2012.

PARO D, PARO J, FERREIRA DLM. O enfermeiro e o cuidar em Oncologia Pediátrica – FAMERP. Arq Ciênc Saúde 2005 jul-set; pág151-157.

CARDOSO, F. T. Câncer Infantil: Aspectos Emocionais e Atuação do Psicólogo. Rev. SBPH v.10 n.1 Rio de Janeiro 2007. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S151608582007000100004&script=sci_arttext

NEUFELD B. A utilização do brinquedo terapêutico em um ambulatório de hemato-oncologia pediátrica de um hospital de ensino de Curitiba-PR. Monografia (graduação em enfermagem) Curitiba: Universidade Federal do Paraná; 2007.

ALMEIDA FA, SABATÉS AL. Enfermagem pediátrica: a criança, o adolescente e sua família no hospital. Barueri, SP. Manole, 2008 – Série Enfermagem.

COFEN. Conselho Federal de Enfermagem (Brasil). Resolução 295/2004. Dispõe sobre a utilização da técnica do brinquedo terapêutico pelo enfermeiro na assistência à criança. Rio de Janeiro: COFEN, 2004.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2016 Revista UNILUS Ensino e Pesquisa - RUEP

ISSN (impresso): 1807-8850
ISSN (eletrônico): 2318-2083

Periodicidade: Trimestral

Primeiro trimestre, jan./mar., limite para publicar a edição - 31 de maio
Segundo trimestre, abr./jun., limite para publicar a edição - 31 de agosto
Terceiro trimestre, jul./set., limite para publicar a edição - 30 de novembro
Quarto trimestre, out./dez., limite para publicar a edição - 31 de março

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

 

Indexadores

 

Estatística de Acesso à RUEP

Monitorado desde 22 de novembro de 2016.