Uso excessivo de telas em escolares e adolescentes e desempenho cognitivo: uma revisão sistemática
Resumo
Introdução: O uso de dispositivos eletrônicos está cada vez mais presente no cotidiano infantil, com início de exposição cada vez mais precoce. Este tempo excessivo de exposição tem sido associado a repercussões físicas, cognitivas e comportamentais ao longo da infância e adolescência. Objetivo: Investigar a associação entre o uso excessivo de telas e alterações cognitivas em escolares e adolescentes. Métodos: Realizou-se uma revisão sistemática de estudos observacionais, conduzida nas bases PubMed, Embase e Scopus, sem aplicação de filtros. Foram incluídos estudos que avaliaram o desempenho cognitivo por meio de testes neuropsicológicos padronizados. Excluíram-se trabalhos com amostras fora da faixa etária estudada, que incluíssem indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento ou sem foco nas alterações cognitivas por uso excessivo de tela. Dos 6657 artigos identificados, 4 foram selecionados para a revisão. A avaliação do risco de viés foi realizada pela Escala de Newcastle-Ottawa (NOS). Resultados: Os quatro artigos analisados avaliaram a cognição através de duas ferramentas. A National Institute of Health (NIH) Toolbox Cognition Battery, demonstrou significância estatística para pior cognição global, fluida e cristalizada nos indivíduos com tempo excessivo de tela referido. Nos resultados do Cambridge Neuropsychological Test Automated Battery (CANTAB), observou-se que o maior uso de telas se relacionou a piores escores em funções executivas, enquanto o uso moderado esteve associado a melhores escores cognitivos e apresentou associações positivas significativas. Conclusões: O tempo excessivo de telas parece ter efeito negativo sobre o desempenho em escalas de avaliação cognitiva em escolares e adolescentes.
Palavras-chave: tempo de tela. cognição. saúde da criança. pediatria. desenvolvimento infantil.
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