PERFIL DAS GESTANTES ACOMETIDAS POR SÍNDROMES HIPERTENSIVAS NO CICLO GRAVÍDICO PUERPERAL EM UMA MATERNIDADE DE RISCO HABITUAL NO ANO DE 2024
Resumo
Introdução: As síndromes hipertensivas da gestação (SHG) representam um dos principais desafios da obstetrícia contemporânea, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no Brasil e no mundo. Entre essas condições estão a hipertensão gestacional, a hipertensão arterial crônica, a pré-eclâmpsia, a eclâmpsia, a pré-eclâmpsia sobreposta e a síndrome HELLP. Fatores como obesidade, idade materna avançada, multiparidade e comorbidades crônicas aumentam significativamente o risco dessas patologias. Em São Vicente (SP), a Maternidade Municipal, classificada como unidade de risco habitual, atende um número expressivo de gestantes com comorbidades, revelando um descompasso entre a classificação institucional e o perfil clínicos das pacientes. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico, clínico e obstétrico das gestantes acometidas por síndromes hipertensivas durante o ciclo gravídico-puerperal atendidas na Maternidade Municipal de São Vicente em 2024, a fim de subsidiar estratégias de prevenção, diagnóstico e manejo das complicações maternas e fetais. Métodos: Trata-se de um estudo observacional e retrospectivo, baseado na análise de 178 prontuários de gestantes diagnosticadas com SHG que realizaram parto na Maternidade Municipal de São Vicente entre janeiro e dezembro de 2024. Foram coletadas variáveis sociodemográficas, clínicas e obstétricas, além de dados neonatais. As informações foram analisadas de forma descritiva e multivariada, por meio de análise de correspondência. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário UNILUS. Resultados: A idade média das gestantes foi de 29 anos, com IMC médio de 35,5 kg/m², indicando predominância de obesidade. Mais de 70% eram multíparas e o parto cesárea foi predominante (86%). Entre as SHG, 32,6% apresentaram hipertensão arterial crônica e 67,4% pré-eclâmpsia. Iminência de eclâmpsia foi observada em 12,4% e síndrome de HELLP em 1,7% das pacientes. A maioria dos recém-nascidos evoluiu bem, com 68% encaminhados ao alojamento conjunto e apenas 32% internados em UTI neonatal, principalmente por prematuridade. O peso médio ao nascer foi de 2,877g, com 18% dos recém-nascidos classificados como baixo peso. Conclusões: As síndromes hipertensivas mostraram-se altamente prevalentes, frequentemente associadas à idade materna avançadas, obesidade e multiparidade. A ocorrência de casos graves como iminência de eclâmpsia e síndrome HELLP em uma maternidade de risco habitual revela falhas na estratificação e no encaminhamento das gestantes, refletindo limitações estruturais do sistema público. O fortalecimento dos fluxos de referência e contrarreferência, a qualificação das equipes e a aplicação rigorosa de protocolos clínicos são medidas essenciais para reduzir a morbimortalidade materna e neonatal e garantir um atendimento seguro e adequado às gestantes com SHG.
Palavras-chave: síndromes hipertensivas da gestação, pré-eclâmpsia, hipertensão
arterial crônica, morbimortalidade materna, perfil epidemiológico.
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