AVALIAÇÃO DA EFICACIA DAS DIFERENTES VACINAS CONTRA HPV NA REDUÇÃO DE LESÕES PRECURSORAS DO CÂNCER DE COLO DE ÚTERO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Isabela Nobrega Barbi, Laura Beatriz Machado, Livia Cereser Prado de Souza, Marcela Canciam Miranda, Ana Paula Rocha Veiga

Resumo


Introdução: O câncer do colo do útero é uma das principais causas de mortalidade feminina no mundo, especialmente em países de baixa e média renda. A infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), principalmente pelos tipos 16 e 18, é o principal fator etiológico dessa neoplasia. As vacinas profiláticas bivalente, quadrivalente e nonavalente representam um avanço significativo na prevenção, porém comparações diretas entre suas eficácias ainda são limitadas. Objetivo: Comparar a eficácia das diferentes vacinas contra o HPV (bivalente e quadrivalente) na redução da incidência de lesões precursoras do câncer do colo do útero (NIC 1, 2 e 3) em mulheres elegíveis para vacinação. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática conforme as diretrizes PRISMA, com busca nas bases PubMed, LILACS e Cochrane até outubro de 2025. Incluíram-se ensaios clínicos randomizados que avaliaram a efetividade das vacinas contra o HPV em relação à incidência de lesões intraepiteliais cervicais. A qualidade dos estudos foi avaliada pelo instrumento RoB 2.0, e a certeza da evidência pelo método GRADE. Resultados: Foram identificados 523 artigos, dos quais sete preencheram os critérios de elegibilidade. A vacina bivalente apresentou risco relativo combinado de 0,14 (IC95%: 0,08–0,27), indicando redução de 86% no risco de lesões cervicais associadas ao HPV 16 e 18. A vacina quadrivalente apresentou RR de 0,08 (IC95%: 0,01–0,59), correspondendo a uma redução de 92% no risco de lesões associadas aos tipos vacinais. Ambas demonstraram alta imunogenicidade, segurança e proteção cruzada parcial contra genótipos não vacinais, com heterogeneidade nula entre os estudos (I² = 0%). Conclusões: As vacinas bivalente e quadrivalente mostraram-se altamente eficazes na prevenção de lesões cervicais de alto grau, reforçando seu papel fundamental na prevenção primária do câncer de colo uterino. A ampliação da cobertura vacinal é essencial para reduzir a incidência e a mortalidade associadas à doença, sobretudo em populações jovens e vulneráveis.
Palavras-chave: Papilomavírus humano; Vacina contra HPV; Lesões cervicais; Prevenção do câncer; Revisão sistemática.


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