Prevalência de Choques Inapropriados por Cardiodesfibrilador Implantável em Pacientes com Doença em Fase Terminal: Uma Revisão Sistemática da Literatura

Julia Pedro Fernandes, Luiza de Lima Morina Vaz, Flavia Regina Lotto Rodrigues

Resumo


Introdução: Os cardiodesfibriladores implantáveis detectam e revertem arritmias fatais, prevenindo morte súbita cardíaca. Entretanto, podem causar choques inapropriados, principalmente num contexto de fase final de vida, o que gera sofrimento e impacto no bem-estar dos pacientes, familiares e cuidadores. Literaturas internacionais já elaboraram diretrizes que orientam uma comunicação objetiva com o paciente sobre a possibilidade da desativação dos dispositivos num contexto de doenças graves e incuráveis, enquanto o Brasil carece de protocolos, apesar do respaldo do Código de Ética Médica e do Conselho Federal de Medicina sobre a ortotanásia. Objetivo: Este estudo reúne dados sobre a prevalência de choques inapropriados em pacientes em fase final de vida decorrentes do uso de cardiodesfibrilador implantável, destacando a importância da elaboração de diretrizes nacionais que possam nortear a prática médica no Brasil. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura disponível sobre o tema na base de dados PubMed, utilizando descritores. Os estudos foram selecionados com base em critérios de inclusão e de exclusão. Resultados: Um grande número de pacientes em fase final de vida recebeu choques inapropriados e não foram comunicados da possibilidade de desativação da função de choque. Conclusões: Pacientes em fase final de vida em uso de cardiodesfibrilador implantável devem ser abordados sobre a possibilidade de desativação da função de choque, visto que cuidados paliativos visam conforto e dignidade neste momento de vulnerabilidade. Para isso, urgem mudanças na educação médica, psicológica e social dos profissionais de saúde, pacientes e familiares envolvidos no cuidado.

Palavras-chave: choque, cuidado de fim da vida, cardiodesfibrilador implantável


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